quinta-feira, 30 de julho de 2015

30/07/2015- "INE revê taxa de desemprego para valor mais baixo desde Julho de 2011"- Diário Económico


INE revê taxa de desemprego para valor mais baixo desde Julho de 2011


INE reviu em baixa taxa de Maio de 13,2% para 12,4%. Afinal, o desemprego tinha recuado naquele mês. Em Junho dado preliminar aponta para manutenção de 12,4%.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), a estimativa provisória da população desempregada foi de 636,4 mil pessoas, o que corresponde a uma taxa de desemprego de 12,4% em Junho. O INE avança que entre Maio e Junho o número manteve-se inalterado - mas longe do nível preliminar antes conhecido. É que autoridade estatística reviu significativamente em baixa a taxa do mês de Maio, de 13,2% para 12,4%, colocando-a no valor mais baixo desde Julho de 2011, data do início da execução do programa da troika.
Entre a taxa de desemprego provisória e a definitiva o INE recolheu mais informação que levou a uma descida da taxa. O instituto estatístico detectou mais 50,7 mil empregados e menos 41,7 mil desempregados. Isto significa que, afinal entre Abril e Maio, a taxa desemprego baixou de 12,8% para 12,4%. Os números provisórios apontavam para um aumento (de 12,8% para 13,2%).
A taxa de 12,4% foi a registada no mês em que o Governo tomou posse e começou a executar o programa da troika. O Governo tem esgrimido esta comparação para ilustrar, em pré-campanha, a recuperação do mercado de trabalho. Alguns factores, como a diminuição da população activa - por exemplo, devido à emigração massiva nos últimos anos - aconselham, contudo, alguma prudência nas comparações directas. Certo é que a tendência é de recuperação clara.
Em Junho, a estimativa da população empregada foi de 4 492,7 mil pessoas. Este número é praticamente igual ao registado em Maio. Este comportamento resultou da "conjugação da diminuição do emprego de jovens (2,2%; 5,5 mil) com o aumento da população empregada de adultos (0,1%; 3,5 mil) e de homens (0,1%; 3 mil). A estimativa para a taxa de desemprego referente a Junho mostra uma estabilização da taxa face ao valor agora conhecido para Maio.

30/07/2015- "Confiança melhora entre famílias e empresários"- Jornal de Negócios



As famílias e os empresários demonstram estarem mais confiantes na economia, de acordo com os dados de Julho, divulgados pelo INE. A contrariar esta melhoria esteve apenas a indústria transformadora e os serviços.
Os indicadores de confiança das famílias e dos empresários melhoraram, em Julho, segundo os dados divulgados esta quinta-feira, 30 de Julho, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Assim, o indicador de confiança dos consumidores subiu de -20,0 pontos para -19,0 pontos, melhorando assim pela primeira vez em quatro meses. As famílias portuguesas acreditam que a situação do agregado familiar nos próximos 12 meses vai melhorar, assim como a situação económica do país. Já no que toca ao desemprego, as famílias portuguesas antevêem uma deterioração. Quanto à capacidade de poupança nos próximos 12 meses as expectativas ficaram inalteradas.

Entre os empresários a confiança também melhorou, com o indicador de clima económico a subir de 1,3 pontos para 1,4 pontos. Este indicador está a melhorar desde Janeiro. A contribuir para a melhoria de Julho estiveram os sectores da construção e obras públicas e do comércio. Neste último quer o comércio por grosso quer o de retalho revelaram melhorias na confiança.

Na indústria transformadora observou-se uma quebra de confiança, sobretudo devido à expectativa de produção nos próximos três meses, já que o indicador de procura actual melhorou.

No caso dos serviços, os níveis de confiança estão a ser afectados igualmente pela deterioração das perspectivas para os próximos três meses, numa altura em que os empresários deste sector já identificam uma deterioração na carteira de encomendas nos últimos três meses.

terça-feira, 28 de julho de 2015

28/07/2015- "CMVM quer que cotadas criem uma comissão que seleccione e avalie os administradores" - Diário Económico



Após o caso BES e PT, o regulador quer fazer alterações para desenvolver as melhores práticas de governo societário e que privilegiem uma maior diversidade nas administrações.
CMVM quer que cotadas criem uma comissão que seleccione e avalie os administradores
A CMVM colocou em consulta pública algumas revisões ao Código de Valores Mobiliários, com o objectivo de melhorar o processo de selecção dos membros dos conselhos de administração das empresas. Uma das propostas passa pela criação de comissões de nomeações, que assegurem uma selecção transparente e que respeite a diversidade dos administradores das cotadas.
As propostas inserem-se "num processo de revisão aprofundada das normas de governo societário e da própria natureza da intervenção da CMVM neste domínio", que está em curso.
Mas a CMVM refere que "dadas as lições que devem ser retiradas de acontecimentos recentes no nosso mercado no que diz respeito à selecção e avaliação dos administradores das sociedades cotadas, não deve ser adiado um aspecto específico dessa revisão, devendo desde já ser apresentada uma proposta de alteração específica", se justifica antecipar uma parte desse processo de revisão.
Assim, o regulador pretende que as cotadas criem comissões que conduzam "o processo de identificação e selecção de candidatos ao preenchimento de vagas no órgão de administração".
Entre os objectivos dessas comissões estarão a avaliação se a composição actual dos órgãos societárias é adequada; estabelecer critérios relativos ao perfil de novos membros dos órgãos societários através dos atributos individuais e contemplando requisitos de diversidade; assegurar que os processos de selecção são transparentes e que assegurem a escolha dos candidatos com maior mérito e que tragam maior diversidade na composição dos órgãos societários.
A CMVM pretende ainda que a execução daquelas recomendações "deve ser orientada por um programa a estabelecer e publicar por cada sociedade, de que constem metas que assegurem, até 2020, um maior equilíbrio de género". O período de consulta pública decorre até 28 de Agosto.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

22/01/2015 - "Governo grego envia hoje carta a Bruxelas com a lista de reformas que pretende realizar" - Jornal de Negócios



O Ministério das Finanças grego vai enviar hoje uma carta de três páginas a Bruxelas com as reformas que pretende realizar para que as instituições façam uma avaliação inicial. O executivo de Atenas recusa cortes nas pensões e salários e acredita que as propostas vão ser aceites pelos credores.


O Ministério das Finanças grego vai enviar hoje uma carta de três páginas a Bruxelas com as reformas que pretende realizar para que as instituições façam uma avaliação inicial, segundo a agência Efe.

O objectivo é que as instituições enviem observações durante a tarde de hoje e, assim, moldar a proposta que Atenas vai apresentar na segunda-feira às instituições europeias para conseguir estender o financiamento ao país por mais quatro meses.

Na sexta-feira, a Europa comprometeu-se a estender o financiamento à Grécia por mais quatro meses, mas Atenas tem de apresentar até segunda-feira uma lista de reformas para ser aprovada pelos credores (União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional).

Segundo os meios de comunicação locais, as medidas não incluem um custo concreto das reformas, mas são semelhantes às propostas políticas, ou seja, o Governo explica os seus métodos para combater a evasão fiscal, a corrupção, a reforma da administração pública e combater a crise humanitária.

O ministro de Estado, Nikos Pappas, advertiu hoje que algumas reformas que o Governo grego irá apresentar na segunda-feira "não são negociáveis" e são uma "questão de soberania nacional".

"O Governo grego vai discutir essas reformas com os parceiros na zona euro, partindo do princípio que há questões de soberania dentro da política interna que não são negociáveis", disse Nikos Pappas ao canal televisivo Mega.

O vice-primeiro ministro, Yanis Dragasakis, disse, no sábado, depois de participar numa reunião do Conselho de Ministros, que a elaboração da lista de reformas "não é algo complicado, é um processo fácil".

Fontes governamentais asseguraram que a intenção do executivo de Alexis Tsipras é não aceitar quaisquer cortes nos salários e pensões.

Optimismo que reformas vão ser aceites

O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, disse ser "quase certo" que as reformas vão ser aceites por Bruxelas, e que o passo seguinte será dado depois das instituições analisarem o seu conteúdo. Yanis Varoufakis explicou que se a resposta for afirmativa "haverá uma teleconferência com as instituições e, automaticamente, o processo avançará".

Um alto oficial do governo, citado pela AFP, disse hoje que Atenas irá apresentar propostas que levarão a economia grega a lutar "fora de sedação".

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, disse no sábado que a lista de reformas "estará pronta na segunda-feira" e enfatizou que mantém contacto permanente com os parceiros da zona do euro.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

21/02/2015 - "Guia de leitura: Tudo o que decidiu o Eurogrupo sobre a Grécia" - Jornal de Negócios

Mais empréstimos? Sim, mas a Grécia ainda tem de explicar como os quer usar e a troika tem de concordar. Há espaço para mudar políticas? Se encaixarem no actual programa, sim. Há flexibilidade orçamental? Só para acomodar menor crescimento. Quando chega mais dinheiro? Talvez só em Maio. E o que está reservado para os bancos pode pagar salários? Não, e vai sair de Atenas.
Ao fim de três encontros em dez dias, os ministros das Finanças da Zona Euro (Eurogrupo) conseguiram redigir um comunicado comum sobre os termos em que estão dispostos a continuar a apoiar financeiramente a Grécia. 

Este comunicado fixa agora um ponto de partida para uma negociação que se intensificará nos próximos dias e semanas, e que exigirá rapidamente ao Governo do primeiro-ministro Tsipras concretizar, e quantificar as suas opções de política.

Leia aqui, descodificado parágrafo por parágrafo, o que foi decidido, o que queria a Grécia, onde teve de ceder e o pouco que segurou.

The Eurogroup reiterates its appreciation for the remarkable adjustment efforts undertaken by Greece and the Greek people over the last years. During the last few weeks, we have, together with the institutions, engaged in an intensive and constructive dialogue with the new Greek authorities and reached common ground today.
 

O Eurogrupo "reitera o seu apreço pelos esforços de ajustamento notáveis realizados pela Grécia e do povo grego ao longo dos últimos anos". E anuncia ter conseguido pisar finalmente "terreno" depois de um "diálogo intenso e construtivo" (sinónimo de negociações tempestuosas, sinalizando-se que ainda há muito para fazer).

Refere-se ainda que esse trabalho envolveu as "instituições" da troika: FMI, BCE e Comissão Europeia, que continuarão envolvidos de forma articulada no programa grego. Trata-se de uma cedência semântica ao novo Governo grego que não gosta de troika e de outros vocábulos, como programa, memorando, austeridade, que diz remeterem para um contexto errado com o qual quer romper.

The Eurogroup notes, in the framework of the existing arrangement, the request from the Greek authorities for an extension of the Master Financial Assistance Facility Agreement (MFFA), which is underpinned by a set of commitments. The purpose of the extension is the successful completion of the review on the basis of the conditions in the current arrangement, making best use of the given flexibility which will be considered jointly with the Greek authorities and the institutions. This extension would also bridge the time for discussions on a possible follow-up arrangement between the Eurogroup, the institutions and Greece.
 


Ao fim de três encontros em dez dias, o Eurogrupo limita-se a "notar" (trata-se do vocábulo mais fraco para, em diplomacia, constatar concordância), o pedido da Grécia para uma prorrogação do Acordo Quadro de Assistência Financeira (contrato assinado pelo Estado grego com o Mecanismo Europeu de Estabilidade, que financia os resgates em nome da Zona Euro, que expira dentro de uma semana, em 28 de Fevereiro).

Acrescenta-se que esse pedido é "sustentado por um conjunto de compromissos" (mais à frente explicam-se quais). Em contraste com a carta dúbia que fora enviada na véspera pelo ministro Yanis Varoufakis, fica explícito que o objectivo da extensão desse acordo de empréstimos é "a conclusão bem-sucedida" do 5º e, à partida, último exame (ou revisão) do actual programa de assistência.

Esta revisão está suspensa desde o ano passado devido a divergências profundas entre a troika e o então governo de Antonis Samaras sobre o realismo do cenário macroeconómico e das metas inscritas no Orçamento de 2015 (para chegar ao excedente orçamental de 3% assumido por Atenas, a troika diz que faltam 1,7 mil milhões de euros).

Fazendo uso da "flexibilidade" dos programas para ajustar metas e medidas (em Portugal houve várias mexidas ao longo do resgate, que justificaram nalguns anos sucessivos Orçamentos rectificativos), admite-se abertamente a existência de espaço para acomodar propostas no novo Governo grego.
Estas terão, porém, de ser negociadas com a troika com base no que está acordado no actual programa.

Esta extensão pode servir de "ponte" (nova concessão semântica a Atenas) para que, entretanto, se possa começar a discutir um possível programa para dar seguimento ao actual que expirará no fim de Junho. Escreve-se que esse eventual "acordo" envolverá o Eurogrupo, as instituições (também FMI?) e Grécia.

Abre-se, portanto, a possibilidade deste segundo programa da troika ser seguido de um terceiro, como era sugerido na carta de Varoufakis. Em que moldes (resgate parcial, programa cautelar?), com que dinheiro e com que condicionalidade, tudo isso remete para o início do Verão e para uma negociação, que se adivinha tremenda, entre a Grécia e o resto da Zona Euro. Neste quadro, é improvável um reforço do envolvimento do FMI que, de resto, tem previsto continuar a financiar a Grécia até Março de 2016.

The Greek authorities will present a first list of reform measures, based on the current arrangement, by the end of Monday February 23. The institutions will provide a first view whether this is sufficiently comprehensive to be a valid starting point for a successful conclusion of the review. This list will be further specified and then agreed with the institutions by the end of April.
 
Até segunda-feira, Atenas tem de apresentar uma primeira lista de reformas, com base no programa actual. Essa lista será submetida à Comissão Europeia, ao BCE e ao FMI que darão uma primeira opinião sobre se se trata de medidas suficientemente abrangentes para poderem ser aceites como ponto de partida para uma conclusão bem sucedida da 5ª avaliação. Ou seja, não podem ser iniciativas avulsas e dificilmente não significarão mais austeridade, face ao buraco de 1,7 mil milhões que vem de trás e perante a significativa quebra de receitas fiscais em Janeiro (muitos gregos não pagam impostos quando há eleições). 

Se esta primeira avaliação for positiva, os Governos dos países do euro poderão desencadear os processos nacionais com vista ao prolongamento da autorizacão de créditos à Grécia. Alemanha, Holanda, Estónia e Eslováquia precisam de receber "luz verde" dos respectivos parlamentos.

Essa primeira lista de medidas terá de ser depois melhor detalhada e receber o aval da troika até ao final de Abril.

Only approval of the conclusion of the review of the extended arrangement by the institutions in turn will allow for any disbursement of the outstanding tranche of the current EFSF programme and the transfer of the 2014 SMP profits. Both are again subject to approval by the Eurogroup.
 
Só haverá transferências - da última parcela do empréstimo europeu (1,8 mil milhões de euros, num total acumulado de mais de 200 mil milhões desde 2010) e dos lucros do BCE (1,9 mil milhões) com compras de títulos gregos que os demais países decidiram prescindir em favor da Grécia - após a troika aprovar a conclusão do último exame. Ou seja, quando as medidas previstas estiverem legisladas e/ou em vigor – possivelmente só em Maio. Não é garantido que o país tenha fundos e consiga emitir dívida e recolher impostos suficientes para se sustentar até lá.


In view of the assessment of the institutions the Eurogroup agrees that the funds, so far available in the HFSF buffer, should be held by the EFSF, free of third party rights for the duration of the MFFA extension. The funds continue to be available for the duration of the MFFA extension and can only be used for bank recapitalisation and resolution costs. They will only be released on request by the ECB/SSM.
 

Esta é uma decisão que transpira desconfiança face a Atenas. Por recomendação das "instituições" - e aqui o mais provável é que tenha sido o BCE - os 11,9 mil milhões de euros que sobraram do envelope da troika destinado à recapitalização dos bancos gregos, e que estão estacionados em Atenas num fundo supervisionado pelo banco central da Grécia, vão voltar para os cofres europeus do Mecanismo Europeu de Estabilidade, sedeado no Luxemburgo. No caso de Portugal, por exemplo, a parte não usada do envelope destinado à banca permaneceu em Lisboa, mesmo depois do fim do programa.

Esses fundos continuam disponíveis até ao fim de Junho, mas só podem ser usados para eventuais operações de recapitalização ou de resolução de bancos gregos a pedido do BCE, que assumiu recentemente a responsabilidade de supervisão no quadro da União Bancária.  

In this light, we welcome the commitment by the Greek authorities to work in close agreement with European and international institutions and partners. Against this background we recall the independence of the European Central Bank. We also agreed that the IMF would continue to play its role.
 
A segunda parte deste parágrafo é enigmática por nela se afirmarem coisas aparentemente óbvias. Duas de várias interpretações possíveis: 1) talvez fosse preciso elencar no comunicado quem são as tais "instituições" e algumas das suas especificidades; 2) ou será que o Eurogrupo sentiu a necessidade de "recordar" a Atenas "a independência do Banco Central Europeu"? Esta segunda interpretação é grave.

The Greek authorities have expressed their strong commitment to a broader and deeper structural reform process aimed at durably improving growth and employment prospects, ensuring stability and resilience of the financial sector and enhancing social fairness. The authorities commit to implementing long overdue reforms to tackle corruption and tax evasion, and improving the efficiency of the public sector. In this context, the Greek authorities undertake to make best use of the continued provision of technical assistance.
 


Este é um parágrafo praticamente "copy-paste" da carta de Varoufakis, no qual o novo Governo grego expressa o seu "forte compromisso com um processo de reforma estrutural mais amplo e profundo que visa melhorar duradouramente o crescimento e as perspectivas de emprego, garantindo estabilidade e resiliência do sector financeiro, e melhorar a equidade social". Atenas compromete-se com "a implementação de reformas há muito necessárias para combater a corrupção e a evasão fiscal, e melhorar a eficiência do sector público". O Eurogrupo e a troika quererão ver parte destas intenções concretizadas na segunda-feira.

The Greek authorities reiterate their unequivocal commitment to honour their financial obligations to all their creditors fully and timely.
 

Esta é uma das "linha vermelhas" mais espessamente traçadas pelos demais países europeus no terreno da negociação, actual e futura, com o novo governo grego, que chegara a pedir um novo perdão de dívida. Na carta que enviara ao presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, Varoukafis prometia, em nome do Estado grego, "honrar" os credores; no comunicado vai, porém, bem mais longe, assumindo, em nome do Estado grego, o "compromisso inequívoco de honrar plena e atempadamente as suas obrigações financeiras para com todos os seus credores".

The Greek authorities have also committed to ensure the appropriate primary fiscal surpluses or financing proceeds required to guarantee debt sustainability in line with the November 2012 Eurogroup statement. The institutions will, for the 2015 primary surplus target, take the economic circumstances in 2015 into account.
 

Não há qualquer promessa de flexibilidade orçamental, à priori. É sabido que Varoufakis quer reduzir para 1,5% do PIB a meta do excedente orçamental (fixada neste ano em 3% e em 4,5% nos dois seguintes). Contudo, o que o comunicado  refere à cabeça é o compromisso do Governo grego de gerar excedentes primários "adequados" ou rendimentos outros (decorrentes de privatizações, por exemplo, congeladas pelo governo Syriza) que garantam a sustentabilidade da dívida de acordo com a trajectória fixada em 2012, aquando do segundo resgate. Que trajectória é essa? Baixar a dívida para  175% do PIB em 2016 (estará ligeiramente acima disso actualmente), 124% em 2020 e "significativamente abaixo" de 110% em 2022.

Para este ano, o comunicado refere que a meta do excedente será revista para ter em conta uma taxa de crescimento provavelmente menor do que a subjacente ao Orçamento em vigor (em linha com o previsto para todos os países do euro); não necessariamente para encaixar mais decisões de despesa, por exemplo.

In light of these commitments, we welcome that in a number of areas the Greek policy priorities can contribute to a strengthening and better implementation of the current arrangement. The Greek authorities commit to refrain from any rollback of measures and unilateral changes to the policies and structural reforms that would negatively impact fiscal targets, economic recovery or financial stability, as assessed by the institutions.
 



O Eurogrupo vê com bons olhos que, em várias áreas, as prioridades políticas do novo governo "podem contribuir para um reforço e uma melhor aplicação do actual programa". Mas, ao mesmo tempo, Atenas foi forçada a prometer que não fará "qualquer reversão de medidas e alterações unilaterais de políticas e de reformas estruturais que impactam negativamente as metas orçamentais, a recuperação económica ou a estabilidade financeira", sendo que quem avalia esse impacto é a troika.

Isso significa que os anúncios do novo governo sobre a extensão dos acordos colectivos, o aumento em quase 25% do salário mínimo ou o perdão fiscal (que anularia 90% dos 76 mil milhões de euros que os gregos devem ao fisco e à segurança social) terão muito provavelmente de ser repensados.

On the basis of the request, the commitments by the Greek authorities, the advice of the institutions, and today's agreement, we will launch the national procedures with a view to reaching a final decision on the extension of the current EFSF Master Financial Assistance Facility Agreement for up to four months by the EFSF Board of Directors. We also invite the institutions and the Greek authorities to resume immediately the work that would allow the successful conclusion of the review.
 
 


O pedido de extensão do acordo de empréstimos é para, no máximo, quatro meses, a contar a partir de Março, o que traduz uma redução da oferta inicial do presidente do Eurogrupo, de seis meses. Na prática, haverá uma extensão em seis meses do segundo programa de assistência à Grécia (houve um primeiro, entre 2010-2012), já que este deveria ter sido concluído em Dezembro de 2014, na parte financiada pela Europa. O FMI tem previstos desembolsos por mais um ano.

We remain committed to provide adequate support to Greece until it has regained full market access as long as it honours its commitments within the agreed framework.
 

É a promessa que, desde o Verão de 2012, acompanha todos os comunicados das cimeiras e do Eurogrupo sobre os resgatados. Significa que, desde que o país apoiado cumpra o prometido, os demais continuarão a ajudá-lo até que consiga dispensar as "muletas" e passar a financiar-se de forma autónoma nos mercados. Quem rasgar acordos pode ficar sem rede e acabar por se ver numa situação em que será forçado a imprimir a sua própria moeda, e sair do euro.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

20/00/2015 - "Portugal avança com leilão de Obrigações do Tesouro a 10 anos na próxima Quarta-Feira" - Economico


Esta é a terceira vez este ano que Portugal volta a testar os mercados com títulos de longo prazo. O montante indicativo do leilão é de entre mil milhões e 1,25 mil milhões de euros.

Portugal avança com leilão de Obrigações do Tesouro a 10 anos na próxima quarta-feira
A agência que gere o crédito público, o IGCP, anunciou um novo leilão de Obrigações do Tesouro na próxima semana. A operação, que incide sobre a linha de OT que vence em Outubro de 2025, está marcada para quarta-feira e será de entre mil e 1,25 mil milhões de euros.
Caso seja colocado o montante máximo pretendido, a operação permitirá ao Estado aumentar para oito mil milhões de euros o montante angariado este ano no mercado, através da colocação de Obrigações do Tesouro.
O objectivo do Estado para a totalidade do ano era conseguir um financiamento de entre 12 a 14 mil milhões de euros. Ou seja, o Tesouro pode terminar Fevereiro com bem mais de metade do financiamento previsto para este ano.
No entanto, a decisão em antecipar o pagamento de parte dos empréstimos do FMI poderá levar o IGCP a rever o plano de financiamento, aumentando-o. O Estado conta pagar 14 mil milhões de euros ao Fundo nos próximos dois anos e meio.
O leilão da próxima semana permitirá ainda ao Tesouro aumentar a rede de segurança da almofada financeira que tem vindo a construir nos últimos anos. No final de 2014, o valor em tesouraria era de 10,2 mil milhões de euros. Esse número deverá ter aumentado consideravelmente desde o início do ano.
Além de não ter havido nenhuma amortização significativa, o Estado conseguiu fazer uma emissão sindicada de OT a dez e a 30 anos em Janeiro, angariando um total de 5,5 mil milhões de euros. Na semana passada foi ao mercado e obteve 1,25 mil milhões de euros em dívida a dez anos. Também o corte das taxas dos instrumentos de dívida direccionados para o retalho, que começaram a ter efeito este mês, levaram a subscrições recorde destes produtos no primeiro mês do ano.
O ritmo de colocações de dívida de médio e longo prazo no mercado ocorre numa altura em que as taxas exigidas pelos investidores negoceiam em mínimos. Na linha que será alvo do próximo leilão, a taxa exigida no mercado secundário, que serve como um indicador de quanto o Estado poderá ter de pagar para emitir, situa-se em 2,213%.

20/02/2015- "Moody's avisa que pagamento antecipado ao FMI não chega para subir o 'rating'" - Económico


A Moody's considerou hoje que o pagamento antecipado do empréstimo ao FMI por Portugal é uma decisão positiva por permitir "poupanças significativas na factura de juros", mas esclarece que não é suficiente para subir o 'rating' atribuído ao país.

Moody's avisa que pagamento antecipado ao FMI não chega para subir o 'rating'Numa nota hoje emitida, a agência de notação financeira Moody's avalia positivamente a decisão de Portugal de devolver antecipadamente "cerca de metade" do empréstimo pedido ao Fundo Monetário Internacional (FMI), elogiando "a substituição dos empréstimos mais caros do FMI por financiamento de mercado mais barato", o que "melhora o calendário de reembolsos".
Para a Moody's, cujo 'rating' atribuído a Portugal é 'Ba1', um nível abaixo do grau de investimento, isto reflete "o acesso sólido ao mercado de Portugal e a gestão proativa da dívida soberana".
No entanto, apesar de considerar a decisão "positiva", a Moody's entende que "o pagamento antecipado não vai ser suficiente para materializar uma melhoria no 'rating' de Portugal".
Apesar de reconhecer que "o atual ambiente de financiamento favorável (...) aumenta a confiança de que o fardo muito pesado da dívida pública de Portugal é sustentado, a agência de notação financeira explica que, para subir 'rating' para um nível de investimento, é preciso olhar também para "duas áreas-chave", a consolidação orçamental e uma melhoria da recuperação económica.
Portugal pretende devolver antecipadamente 14 mil milhões de euros do envelope financeiro total de 26,5 mil milhões pedidos à instituição liderada por Christina Lagarde entre este ano e 2017, sendo que, no calendário original de pagamentos, Portugal teria de pagar apenas 6,7 mil milhões de euros até ao final de 2017.
"Estimamos que a substituição dos empréstimos do FMI por financiamento de mercado mais barato vai resultar em poupanças acumuladas [em despesas] com juros de cerca de 500 milhões de euros (0,3% do Produto Interno Bruto em 2014)", calcula a Moody's.
O custo do financiamento concedido a Portugal pelo Fundo é de 3,6%, acima da taxa de juro de 2,5% que o mercado está atualmente a cobrar pelos títulos de dívida soberana portuguesa a 10 anos.
O Eurogrupo já aprovou o pedido de pagamento antecipado apenas ao FMI (e não aos credores europeus) por parte de Portugal, numa decisão que já tinha sido também tomada pela Irlanda.
Os parlamentos da Alemanha, da Holanda e da Finlândia terão ainda de ratificar o pedido. De acordo com o calendário da divulgação de ações de 'rating', a Moody's deverá voltar a avaliar a nota portuguesa a 8 de Maio e depois a 4 de Setembro.